Receber a notícia de que existe um dinheiro esquecido a seu nome, seja um pecúlio, uma indenização ou o resultado de uma ação judicial, mexe com qualquer pessoa, ainda mais em um momento de luto ou de aperto. É justamente essa esperança que o golpe do pecúlio explora. Se você recebeu esse contato agora, pode respirar: dá para verificar tudo com calma e de graça, e ninguém precisa pagar nada para receber o que é seu. Aqui você entende como funciona, como reconhecer e o que fazer.
Como funciona
O contato costuma vir de alguém que se apresenta como advogado ou como uma empresa de consultoria. A pessoa afirma que você tem um valor a receber, seja de um processo trabalhista, de um pecúlio do INSS ou de uma indenização, e que esse dinheiro está bloqueado ou depende de uma última providência.
Em seguida, vem o pedido de pagamento de uma taxa, chamada de custas, honorários ou imposto, para liberar o valor. Depois que a taxa é paga, o golpista inventa novos custos ou simplesmente desaparece. O processo e o dinheiro prometido nunca existiram. Muitas vezes esses criminosos compram listas de aposentados e pensionistas, por isso parecem saber alguns dos seus dados.
O caminho do golpe
Como o dado vira fraude
- Avisam que você tem um valor de ação ou pecúlio a receber
- Cobram uma taxa para liberar o dinheiro que estaria bloqueado
- Somem com a taxa, e o valor prometido nunca existiu
Como reconhecer
O golpe se apoia na esperança e, muitas vezes, na fragilidade de um momento difícil. Não há vergonha nenhuma em ter acreditado. Estes são os sinais que se repetem.
Ninguém cobra de você uma taxa para lhe entregar um dinheiro que é seu. Verificar é sempre gratuito.
Processo que você não conhece
Falam de uma ação ou pecúlio que você nunca ouviu falar.
Taxa pra liberar o valor
Pedem custas, honorários ou imposto adiantado para soltar o dinheiro.
Sem número de processo
Não informam um número que você possa consultar no tribunal.
Depósito em conta pessoal
Pedem transferência para a conta de uma pessoa, não de um órgão.
Caí no golpe. O que fazer agora?
Se você ou alguém da família já pagou, aja com calma:
- Se pagou por Pix, acione o banco e peça o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central.
- Peça o número do processo e confira de graça no site do tribunal. Sobre pecúlio ou benefício, confirme direto no INSS ou no Meu INSS.
- Registre um boletim de ocorrência, que pode ser feito pela delegacia virtual do seu estado.
- Se envolveu a pessoa idosa da família, acolha sem culpar. Denúncias de abuso contra idosos podem ser feitas pelo Disque 100.
Como se proteger
- Lembre que consultar processos, pecúlios e benefícios é sempre gratuito, nos sites dos tribunais, no INSS ou no Meu INSS.
- Desconfie de qualquer contato sobre uma ação ou um valor que você não conhece, principalmente se cobrarem uma taxa para liberar.
- Confira o registro do advogado no site da OAB. Se precisar de orientação, a Defensoria Pública atende de graça.
- Nunca deposite em conta de pessoa física achando que é um órgão, e converse com um familiar de confiança antes de pagar qualquer coisa.
A regra de ouro do pecúlio: dinheiro de verdade não cobra taxa pra ser liberado. Antes de pagar qualquer coisa, verifique de graça e fale com alguém de confiança.
Esse golpe é primo das falsas cobranças financeiras, como o golpe do falso limpa nome, e usa a mesma manipulação do golpe de engenharia social. Como muitos contatos partem de dados que já vazaram, vale conferir os vazamentos recentes e o quanto você está exposto. No MyRiskGuard, a Golpepédia reúne o catálogo completo de golpes, sempre atualizado, pra você e a sua família reconhecerem o próximo antes de cair.