Se você chegou aqui porque acabou de cair num golpe, pare um instante e respire. A pressa que o golpista criou já cumpriu o papel dele. Agora o tempo joga a seu favor: os primeiros minutos são os que mais reduzem o dano. Cair num golpe não é burrice, é o resultado de um crime bem ensaiado, que engana gente atenta todos os dias. Siga os passos abaixo, um de cada vez.
Nos primeiros minutos
O primeiro movimento é conter o prejuízo financeiro. Contate o seu banco imediatamente, pelo aplicativo ou pela central de atendimento. Se o golpe envolveu o seu cartão, peça o bloqueio na hora. Se houve acesso à sua conta, peça o bloqueio de transferências e informe que você foi vítima de fraude.
Não tenha vergonha de ligar. Os bancos lidam com isso todos os dias e têm canais próprios para casos de golpe. Quanto antes você avisar, mais opções eles têm para agir.
Se envolveu Pix, transferência ou cartão
Se você fez um Pix ou uma transferência para o golpista, acione o seu banco e peça o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central. Ele foi criado justamente para golpes e fraudes, e permite ao banco bloquear e tentar devolver o valor que ainda estiver na conta do criminoso. A devolução não é garantida, mas a rapidez aumenta muito a chance.
Se a fraude foi no cartão de crédito, conteste as compras que você não reconhece junto à operadora e peça um novo cartão com número diferente. Você tem o direito de contestar transações não autorizadas dentro do prazo informado pela operadora.
Troque as senhas e ative a verificação em duas etapas
Se você digitou senhas em algum link, ou desconfia que o golpista teve acesso às suas contas, troque as senhas afetadas de outro aparelho, começando pelo e-mail e pelo banco. Use senhas fortes e diferentes para cada serviço. Se quiser testar se as suas senhas resistem, use o nosso verificador de força de senha.
Em seguida, ative a verificação em duas etapas nas contas importantes. É a trava que impede o criminoso de entrar mesmo que ele já tenha a sua senha.
Registre e denuncie
Registre um boletim de ocorrência. A maioria dos estados tem delegacia virtual, onde você faz o registro pela internet. O boletim documenta o crime e costuma ser necessário para contestar cobranças e transações indevidas.
Se uma empresa esteve envolvida, seja uma loja, um banco ou um serviço, registre também a reclamação no consumidor.gov.br, o canal oficial do governo para conflitos de consumo, e no Procon do seu estado. Se o golpe envolveu conteúdo íntimo ou aconteceu pela internet, você pode denunciar na SaferNet Brasil, canal nacional e gratuito de denúncia de crimes on-line.
Guarde as provas
Antes de bloquear ou apagar qualquer coisa, guarde tudo o que puder: prints das conversas, comprovantes de transferência, números de telefone, links, e-mails e nomes usados. Essas provas sustentam o boletim de ocorrência, a contestação no banco e a reclamação contra empresas. Junte tudo em um só lugar enquanto está fresco na memória.
Você reagiu, e isso já muda o jogo. A culpa é de quem aplicou o golpe, não de quem foi enganado. Cada passo que você dá agora reduz o estrago.
Depois de conter o dano, vale entender o que aconteceu para não se repetir. Muitos golpes começam com dados que já estão em circulação: confira os vazamentos recentes e o quanto você está exposto. Se quiser um roteiro guiado para o seu caso, o Protocolo de Incidente do MyRiskGuard te acompanha passo a passo depois de criar a sua conta. E para reconhecer o próximo antes de cair, a Golpepédia reúne o catálogo completo de golpes, sempre atualizado.