Se você está recebendo uma ligação dizendo que sequestraram alguém da sua família e exigindo dinheiro agora, pare um instante e respire fundo. Na imensa maioria das vezes, isso é golpe, e o seu familiar está bem. O criminoso não quer que você pense, ele quer que você entre em pânico e transfira antes de conferir. Entender isso já tira metade da força da ligação. Aqui você vê como reagir na hora, como confirmar que é golpe e o que fazer.
Como funciona
O criminoso escolhe um horário em que o seu familiar costuma estar sem atender, como o trabalho, a escola ou uma consulta. Ele liga de um número desconhecido afirmando que a pessoa está com ele, muitas vezes com gritos ou choro ao fundo, que podem ser gravações ou um comparsa.
A partir daí, tudo é feito para manter você no telefone e no medo. Ele proíbe você de desligar, de avisar a polícia ou de checar com outra pessoa. Costuma conhecer alguns detalhes da sua família, quase sempre tirados de redes sociais, o que dá um ar de verdade à história. Então vem a exigência: um valor específico, por Pix ou depósito, transferido imediatamente.
O caminho do golpe
Como o dado vira fraude
- Ligam de um número desconhecido dizendo ter um refém
- Mantêm o pânico e impedem você de checar
- Exigem a transferência do resgate imediatamente
Como reconhecer
O golpe se sustenta em um único ponto: impedir que você confirme onde o seu familiar está. Todos os sinais giram em torno disso.
O criminoso precisa do seu pânico. No instante em que você ganha tempo e confirma que a pessoa está bem, o golpe acaba.
Não deixam desligar
A ligação te prende ao telefone e proíbe você de checar ou avisar alguém.
Não passam o familiar
Dão desculpas e nunca deixam você falar de verdade com a pessoa.
Gritos e prazo curto
Sons dramáticos ao fundo e uma exigência de dinheiro pra agora.
Pix imediato
Um valor específico, transferido na hora, sem tempo pra pensar.
Caí no golpe. O que fazer agora?
Se a ligação está acontecendo agora, siga com calma:
- Mantenha a calma e ganhe tempo. Diga que precisa de um momento, que está reunindo o dinheiro. Não é fraqueza, é estratégia.
- Peça uma prova de vida: uma pergunta pessoal que só o seu familiar saberia responder. Golpistas travam nessa hora.
- Sem desligar, use outro telefone ou peça a alguém do seu lado para ligar para o familiar e para quem possa estar com ele.
- Não transfira dinheiro sob a pressão da ligação.
- Acione a polícia pelo 190, mesmo suspeitando de golpe, e denuncie no Disque Denúncia 181, que é sigiloso. Se já transferiu, acione o seu banco na hora e peça o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central, e registre um boletim de ocorrência.
Como se proteger
- Combine uma palavra-código com a família, uma palavra simples que só vocês conheçam, para confirmar emergências de verdade.
- Reduza o que você expõe nas redes. Rotina, localização em tempo real e nomes de parentes são a matéria-prima que torna a ligação convincente.
- Tenha à mão os números de escola e trabalho dos familiares, para confirmar rápido onde a pessoa está.
- Converse sobre esse golpe com os mais velhos da família, que são o alvo preferido. Saber que a ligação existe é a melhor defesa contra o susto.
Você está no controle, não o criminoso. Desligar para verificar não coloca ninguém em risco: é exatamente o que faz o golpe desmoronar.
Esse golpe é o extremo de um grupo que explora emergências familiares. Ele é primo do golpe do familiar internado e do golpe do parente em dificuldade, e todos usam a mesma base de manipulação da engenharia social. Como os detalhes vêm de dados expostos, vale conferir os vazamentos recentes. No MyRiskGuard, a Golpepédia reúne o catálogo completo de golpes, sempre atualizado, pra você e a sua família reconhecerem o próximo antes do susto.