Ao contrário do golpe do consignado, que oferece um crédito novo, o golpe da renovação mira quem já tem uma dívida. O criminoso liga sabendo que você tem um empréstimo e promete uma parcela menor, um juro mais baixo ou um prazo mais folgado. Só que, para "renovar" ou "fazer a portabilidade", ele cobra uma taxa que não existe, e no pior caso ainda contrata um segundo empréstimo no seu nome. Aqui você entende como funciona, como reconhecer e o que fazer se caiu.
Como funciona
Tudo começa com uma ligação que você não pediu, de alguém que já sabe que você tem um empréstimo ativo. Ele oferece trocar o seu contrato por outro melhor, com a promessa de reduzir a parcela ou o juro.
Para dar andamento, o golpista cobra uma taxa antecipada, chamada de portabilidade, análise ou liberação. O problema é que a portabilidade de crédito é gratuita por lei, então nenhuma dessas cobranças é real. Depois que a taxa cai na conta dele, ele some ou inventa um novo custo.
Na versão mais grave, ele pede seus documentos, sua senha e seu token e contrata um novo empréstimo no seu nome, mantendo o antigo ativo. Você fica com duas dívidas em vez de uma.
O caminho do golpe
Como o dado vira fraude
- Oferece trocar o seu empréstimo por uma condição melhor
- Cobra uma taxa de portabilidade ou análise
- Some com a taxa, ou faz um novo empréstimo e mantém o antigo
Como reconhecer
O golpe se apoia no cansaço de quem quer respirar da dívida. Mas os sinais se repetem sempre. Fique atento.
Renovar dívida de verdade nunca cobra nada antes. A portabilidade é de graça, por lei.
Ligação que você não pediu
Alguém que sabe da sua dívida oferece renovar com parcela menor.
Taxa pra portabilidade
Cobram análise ou portabilidade adiantado, e isso não existe.
Pedem senha ou token
Querem seus dados bancários completos para fechar na hora.
Não é o seu banco
Não é a instituição do seu contrato atual nem um banco conhecido.
Caí no golpe. O que fazer agora?
Se você pagou uma taxa ou passou seus dados, aja rápido:
- Consulte os contratos ativos no seu nome pelo Registrato, o sistema gratuito do Banco Central. Assim você vê se surgiu um empréstimo que não autorizou.
- Se assinou algo por telefone, use o direito de arrependimento: o Código de Defesa do Consumidor dá 7 dias para cancelar contratações feitas fora de uma agência. Procure o banco por escrito.
- Se pagou por Pix, acione o seu banco na hora e peça o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central.
- Se entregou senha ou token, troque no aplicativo do banco e registre um boletim de ocorrência.
Como se proteger
- Lembre que a portabilidade de crédito é gratuita por lei. Nenhuma taxa adiantada para renovar ou transferir um empréstimo é legítima.
- Procure primeiro o banco onde você já tem o contrato e compare o Custo Efetivo Total (CET) por escrito antes de decidir.
- Use o Registrato do Banco Central para ver todos os contratos no seu nome e confirmar o que é real.
- Nunca forneça senha nem token bancário a quem ligou oferecendo renovação.
A regra de ouro da renovação: se cobraram uma taxa pra baixar a sua parcela, o que vai baixar é só o seu saldo. É golpe.
Esse golpe é irmão do golpe do empréstimo consignado, que também usa a promessa de crédito fácil, e costuma vir depois de dados que já circulam por aí. Vale conferir os vazamentos recentes e o quanto você está exposto. No MyRiskGuard, a Golpepédia reúne o catálogo completo de golpes, sempre atualizado, pra você e a sua família reconhecerem o próximo antes de cair.